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[FLH0402-8] Teoria da História II

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O Neokantismo gerou uma perspectiva otimista em relação à ciência e à industrialização, mas também gerou uma perspectiva pessimista e crítica, decorrente da nova ênfase que a Escola da Universidade de Baden, diferentemente da de Marburg, colocou sobre a Crítica da Razão Prática. Daí se desenvolve a sociologia crítica de Ferdinand Tönnies, com sua distinção entre Comunidade e Sociedade, de Max Weber, que condenou a racionalização burocratizante da vida e a transformação da política em administração pública, e de Georg Simmel, que demonstrou como o dinheiro torna todos os valores, econômicos e culturais, algo indiferente e vazio de sentido. Desse ambiente crítico surge a obra de crítica literária do jovem Lukács, entre 1910 e 1916, contrapondo o ideal de uma vida "autêntica" a uma realidade rebaixada de compromissos. Por essa contraposição, Lukács condenava tanto o capitalismo quanto o Partido Social-Democrata alemão, que mantinha uma retórica revolucionária, mas fazia compromissos cada vez mais sérios com os partidos conservadores, como ficou claro com a votação sobre os créditos de guerra em 1914.
Como introdução geral ao curso de Teoria da História, este vídeo contextualiza o ambiente social, econômico, político e intelectual no qual se moveram os três autores que serão enfocados: Lukács, Benjamin e Gramsci. Ele ressalta a nova fase do capitalismo europeu depois da grande crise do final do século XIX, que permitiu a centralização do capital industrial em poucas empresas oligopólicas e a sua compenetração com o capital financeiro. Isso foi mais intenso no Império alemão, mas também ocorre no Império austro-húngaro e no norte da Itália. Na Alemanha, a industrialização é vista com otimismo por parte dos cientistas e filósofos que aderiram seja ao Positivismo introduzido da Inglaterra, seja ao renascimento da filosofia de Kant. O neokantismo tem uma primeira escola importante na Universidade de Marburg, que se baseia na Crítica da Razão Pura para desenvolver suas concepções do método científico e legitimar a aplicação da ciência à tecnologia industrial.
Finalizando o primeiro bloco do curso, o terceiro vídeo trata do impacto que a Revolução Russa de 1917 e que o ciclo revolucionário que se abriu na Alemanha e Hungria com o final da Primeira Guerra Mundial tiveram para a formação de Lukács. De uma aceitação inicial da crítica de Marx ao capitalismo filtrada pela recepção de Weber e Simmel, Lukács passa a condição de revolucionário, embora mantenha suas críticas ao SPD alemão e ao Bolchevismo russo de que ambos os movimentos colocavam questões de tática acima das de ética. Lukács mantém sua perspectiva de abordar a crítica de Marx pelo viés da dialética hegeliana e considera as revoluções como a realização objetiva do sujeito histórico - o proletariado, numa dialética de sujeito e objeto. Para que ele seja sujeito pleno e se objetive na prática, porém, ele precisa adquirir consciência de classe, algo que é impedido pelos fetichismos que o capitalismo cria. Em História e Consciência de Classe, Lukács propõe, assim, a desmascarar a forma de criação dos fetiches pelo capital e de esclarecer a consciência de classe do proletariado.
Lukács começa o livro "História e consciência de classe" com um capítulo intitulado "O que é marxismo ortodoxo", no qual afirma que, para além de teses de conteúdo específico, o elemento que define uma "ortodoxia" marxista é a adesão ao método, isto é, à relação dialética entre sujeito e objeto. Mais ainda, essa relação é essencialmente uma relação entre teoria e prática revolucionária, e não tanto uma relação apenas teórica, cognitiva. Lukács prossegue criticando os marxistas que, a pretexto de "atualizar" Marx com os resultados mais recentes da ciência, descartam a dialética e aderem seja ao empirismo, seja ao método das ciências naturais: essa recusa da dialética prática corresponde a uma proposta política reformista e parlamentar, mas decorre do próprio capitalismo, cujas formas sociais fetichistas invertem a realidade e sua percepção, criando uma nova "estrutura de objetividade".
Na definição do método marxista, Lukács discute o significado da "totalidade concreta", que não é uma instância homogeneizadora, e sim um conjunto de relações sociais criadoras das diferenças sociais. As várias esferas de vida - política, artística, científica, religiosa, econômica - se articulam sempre de modo diferente dentro dessa totalidade e por isso ela é "concreta". No capitalismo, a forma da totalidade concreta engendra uma "forma de objetividade" essencialmente fetichista, invertendo a relação de pessoas e coisas e daí, as abstrações e a atomização que caracteriza esse sistema social.
Nas últimas duas seções do capítulo em consideração, Lukács apresenta uma versão importante da relação entre as filosofias de Hegel e de Marx, afirmando que, embora Hegel pretendesse superar as dicotomias do pensamento filosófico anterior, foi apenas com o conceito de "práxis" de Marx que elas foram superadas, de fato, em uma filosofia propriamente dialética e não dicotômica. A práxis a que Lukács se refere, porém, é somente a do proletariado, cuja situação alienada, chegando ao ponto da inumanização, força a uma ação que transforme radicalmente a sociedade baseada no capital. Para explicar essa concepção de revolução, Lukács discute a relação entre teoria e práxis a partir do conceito de "consciência de classe" do proletariado, que permite romper "os véus do fetichismo" e superar os limites de uma perspectiva meramente utópica.
Nas primeiras páginas do capítulo "O fenômeno da reificação" no livro História e consciência de classe, Lukács retoma o conceito de mercadoria e de fetichismo para afirmar que essas formas sociais caracterizam a sociedade capitalista e não tanto as economias mercantis simples. Mais do que uma questão da amplitude da forma de mercadoria, o problema são as mudanças qualitativas que a transformação da força de trabalho em mercadoria traz para o conjunto das manifestações de vida. O próprio conceito de mercadoria deve mudar nesse momento, acompanhando a transformação da forma social real da mercadoria no capitalismo.
Na continuação do texto, Lukács analisa como a fragmentação do processo de trabalho e do produto permite a divisão da produção no tempo e no espaço, com o cálculo das medidas da produção como forma principal de racionalização do capitalismo. Passa a examinar o correlato dessa situação para as formas de subjetividade do trabalhador, e percebe a atomização, o isolamento, e a perda de importância da sua "experiência concreta" de trabalho como as piores consequências. O próprio tempo de trabalho é regulado pela máquina e perde sua densidade qualitativa, tornando-se uma dimensão puramente quantitativa, vazia de "experiência concreta" humana. Em virtude disso, por fim, o indivíduo acaba por cair em uma atitude contemplativa em relação ao trabalho, cada vez mais comandado por automatismos, e se torna um "espectador impotente de sua própria existência", situação que, sem dúvida, compromete sua atuação para transformar o sistema.
O texto de Lukács sobre "O fenômeno da reificação" prossegue, com a crítica à "filosofia do dinheiro" de Simmel, que Lukács afirma ter generalizado de modo a-histórico proposições de Marx válidas para o mundo capitalista. Diferente é o caso das observações de Max Weber sobre o Estado e a burocracia modernas, que funcionariam como uma empresa sujeita à racionalidade do cálculo e da previsão. Lukács começa a fazer uma crítica ao Direito burguês e desenvolve a relação dessa forma de objetividade com a constituição dos sujeitos nesse modo de produção, marcados pela atitude contemplativa em relação ao trabalho e à própria existência e pela partição da personalidade, vendida em parcelas ao mercado de trabalho.
No final da primeira seção do capítulos sobre a "reificação e a consciência do proletariado", Lukács conclui suas observações sobre o "fenômeno da reificação" voltando ao conceito de Totalidade Concreta. O caráter apenas formal com que as várias esferas da vida social estão conectadas, isto é, pela racionalidade técnica emanada da forma de mercadoria, aparece com clareza nas crises sociais, quando os conteúdos diversos de cada esfera se autonomizam e separam, fragmentando o todo da vida social. Ela aparece, então, baseada em uma mera "lei das contingências", que nada tem a ver com uma totalidade de conteúdo. Lukács finaliza suas observações explicando que nenhuma ciência desenvolvida no âmbito capitalista tem condições de ultrapassar seus limites cada vez mais estreitos de especialização, correlatos da fragmentação da produção burguesa, e entender o processo contraditório que unifica dialeticamente a sociedade e que a leva a crises recorrentes.
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